Cabine telefónica no mar,
chibata todas as palavras que nunca irão chegar.
O boxista sem cabelo, sua na careca
amá-la mais do que ela sabe.
E ela sorri junto das cordas,
o ringue é um combate sem melodias do piano.
Cumplices antes do k.o,
ele neurótico por outras orelhas,
apagou a paixão pelo nariz da pianista.
Irina mete moedas na lavandaria automática,
enxuga como a roupa as memórias da ilha.
Fuerteventura, o sítios das viagens com todas as namoradas,
lugar onde sentiram-se únicas até descobrirem
que todas as ex foram lá.
Golpe baixo, desclassificado.
O tempo ensina a pretender
quando a furia cria
todas as novas desculpas.
Há algo no caminho para levá-la sempre
às ondas sonoras para os surdos
e nada até sempre.
Hollywood Glaucoma
tenham uma boa noite e uma má manhã
sexta-feira, 20 de junho de 2014
terça-feira, 17 de junho de 2014
Lagarto, o cowboy sem nave
O cego toca blues de Nova Orleães nas ruas de Lisboa, os dedos negros cicatrizam as feridas de soldador. Ao lado uma menina loira de vestido branco dança, balança no seu mundo de criança. Sonhos são eternos quando não há empréstimos bancários para pagar funerais. A juventude sónica grita "só vivemos uma vez", enquanto os senhores da morte jogam xadrez pacientemente, donos do mundo dançam trance no céu, botam químicos e vivemos com um fisico destinado para o cancro. Mas há pornografias para animar, a Tori e a sua linguagem torna-te dono do mundo por momentos num mundo que é uma loja com sonhos defeituosos trocados por sorrisos falsos.
Eu sinto quimica por quem as minhas células, é a célula para um crime perfeito no meu coração. A minha mente vive das alucinações paranoicas, prevejo sempre o fim, vejo o que vai acontecer, a ilusão do solidão finge ter uma companhia, ela é limitada e as emoções criam o infinito.
Quem vai tocar os olhos blues quando no café dos poetas a bailarina dança piadas que fazem sorrir, onde está a dor Sr.Doutor? Porque só me encanta o maligno? Serões a procrastinar com má televisão onde
mulheres bêbedas fechadas numa casa gritam e puxam cabelos. Caixa de memórias sem as minhas histórias, publicidade para ser o mais belo, nada que eu queira, procuro o jazz shaolin mas só vejo escalas de cinzas.
E Elena cresce uma árvore de dinheiro, dragões e elfos, evolui no videojogo e profissionalmente. Ela é um lagarto na minha mente cheia drunfos, as suas cores são caleidoscopios nos meus pés. Ela narcolepsia no deserto mexicano, caminha pelo sol e espera por mim dentro de um cacto. O dia nunca irá chegar, vivo na melancolia da folia da cama sem sede de sair, apenas quero outra cola. Minto barras de doces, quis ser um cowboy a voar em naves, acabei perdido cegando nas minhas feridas de ilusão.
Eu sinto quimica por quem as minhas células, é a célula para um crime perfeito no meu coração. A minha mente vive das alucinações paranoicas, prevejo sempre o fim, vejo o que vai acontecer, a ilusão do solidão finge ter uma companhia, ela é limitada e as emoções criam o infinito.
Quem vai tocar os olhos blues quando no café dos poetas a bailarina dança piadas que fazem sorrir, onde está a dor Sr.Doutor? Porque só me encanta o maligno? Serões a procrastinar com má televisão onde
mulheres bêbedas fechadas numa casa gritam e puxam cabelos. Caixa de memórias sem as minhas histórias, publicidade para ser o mais belo, nada que eu queira, procuro o jazz shaolin mas só vejo escalas de cinzas.
E Elena cresce uma árvore de dinheiro, dragões e elfos, evolui no videojogo e profissionalmente. Ela é um lagarto na minha mente cheia drunfos, as suas cores são caleidoscopios nos meus pés. Ela narcolepsia no deserto mexicano, caminha pelo sol e espera por mim dentro de um cacto. O dia nunca irá chegar, vivo na melancolia da folia da cama sem sede de sair, apenas quero outra cola. Minto barras de doces, quis ser um cowboy a voar em naves, acabei perdido cegando nas minhas feridas de ilusão.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Ciência
Sou o cão de Pavlova e deixei de salivar por comida,
salivo por campainhas. Mas a campainha já não toca, nem o telefone, porque
Pavlova já nem me liga. Sou uma múmia ligado a ligaduras, estou no antigo
Egipto a ter uma cirurgia aos dentes, onde vivo não existe um plano dentário, tudo fica caro e tive que escapar
Os dentes são a essência de uma boa saúde, dentes deformados afectam as costas, e eu não tenho costas largas. Culpa ? Não a tenho,é genético e matemático, como este mundo é uma espiral. Fibonacci e a sua sequencia, eu e a minha escrita somos um só, solos concentrado na geografia do meu quarto.
Tenho uma atracção física por uma mulher que descrimina a lei de física de Gay-Lussac. Mas a história mostra que na Grécia antiga havia gays e apesar de ela adorar os pensamentos de Platão, ficou presa na caverna .E agora vive presa numa caverna com uma mulher nua não existe química mas a mulher nua é cientista. Uma agente que investiga sem perucas, e procura criar a fórmula para seduzir a outra aprisionada. E se a experiencia correr mal, não existem ratos na caverna para serem transformados em mutantes. Ciência, uns ali a morrer com cancro enquanto um cientista clona uma bela modelo e espera 18 anos depois do nascimento para ter algo com ela.
Os dentes são a essência de uma boa saúde, dentes deformados afectam as costas, e eu não tenho costas largas. Culpa ? Não a tenho,é genético e matemático, como este mundo é uma espiral. Fibonacci e a sua sequencia, eu e a minha escrita somos um só, solos concentrado na geografia do meu quarto.
Tenho uma atracção física por uma mulher que descrimina a lei de física de Gay-Lussac. Mas a história mostra que na Grécia antiga havia gays e apesar de ela adorar os pensamentos de Platão, ficou presa na caverna .E agora vive presa numa caverna com uma mulher nua não existe química mas a mulher nua é cientista. Uma agente que investiga sem perucas, e procura criar a fórmula para seduzir a outra aprisionada. E se a experiencia correr mal, não existem ratos na caverna para serem transformados em mutantes. Ciência, uns ali a morrer com cancro enquanto um cientista clona uma bela modelo e espera 18 anos depois do nascimento para ter algo com ela.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
os voos da rapariga dos olhos vermelhos,olhos azuis
A nuvem que me fez voar, é a nuvem que agora faz chover. Sem traduzir a mudança, clips do passado apertam-me o cabelo na hora do adeus, o tempo ensina a pretender quando não há noções para entender. Arranco relva para sentir as minhas mãos a mentir, choro hipotecas do coração através dos desenhos de bonecas chinesas e carecas. Lágrimas de desenhos sem réplicas de plástico nas lojas, o bazar chinês vende estatuetas de maria, freiras e jesus ao lado de bolas brilhantes com peixinhos a nadar, são devaneios e brinquedos para quem não sabe desenhar. Nunca desenhei o rapaz nuvem, na mesa de cabeceira guardei uma fotografia da sua infância, na infância é facil voar mas a idade tende a criar tempestades e nevoeiros para ficarmos no chão.
Tia morreu de cancro sem perceber como o super homem voa nos filmes, o avô já não voa depois da morte da filha acredita que a vida não vale nada, - um momento estamos vivo e no outro debaixo da terra, são as palavras que saem da boca dele. Encho a cama da avó com bonecas de porcelena, ela sorri ao dormir enquanto tiro fotografias para produzir na fábrica das memórias. Operários moldam recordações, é a linha de montagem com auxilio de máquinas, a produção encontra-se fraca e o armazém enche-se de poeira, talvez deva despedir o chefe de secção ou o supervisor.
É a santa semana aqui na aldeia. Os jovens batem nos carrinhos de choque, corações ficam em pulos na sedução, uns tornam doces como algodão, outros pedem perdão mas eu estou sem manuais de instruções para novas lições de voo porque o César da fábrica devolveu as antigas por defeito dos tradutores.
Tia morreu de cancro sem perceber como o super homem voa nos filmes, o avô já não voa depois da morte da filha acredita que a vida não vale nada, - um momento estamos vivo e no outro debaixo da terra, são as palavras que saem da boca dele. Encho a cama da avó com bonecas de porcelena, ela sorri ao dormir enquanto tiro fotografias para produzir na fábrica das memórias. Operários moldam recordações, é a linha de montagem com auxilio de máquinas, a produção encontra-se fraca e o armazém enche-se de poeira, talvez deva despedir o chefe de secção ou o supervisor.
É a santa semana aqui na aldeia. Os jovens batem nos carrinhos de choque, corações ficam em pulos na sedução, uns tornam doces como algodão, outros pedem perdão mas eu estou sem manuais de instruções para novas lições de voo porque o César da fábrica devolveu as antigas por defeito dos tradutores.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
sonhos e fumo
tempos de primavera,
a catarina faz-me rir mas está de mau humor hoje,
tudo é açucar quando o futuro é distante.
tempos de verão,
atrás do prédio as raparigas dos curtos calções de ganga e bonés para trás
enrolam sonhos para o pulmão,
o censor filtra-os e faz a escolha.
sonho sem filtros, vejo fumo no meu olhar
os piratas com material original levam alguém da minha vida todos os verões,
são partidas de verão que não aumentam as estatisticas de emigração.
procuro por respostas em sonhos bizarros
durmo mais de uma vez ao dia para aumentar a chance de apareceres.
catarina vive num outro futuro
mas tudo continua igual por cá,
a ganza não aumenta de preço apesar da inflação,
e atrás do prédio, as raparigas fumam os seus sonhos porque o futuro ainda é distante.
a catarina faz-me rir mas está de mau humor hoje,
tudo é açucar quando o futuro é distante.
tempos de verão,
atrás do prédio as raparigas dos curtos calções de ganga e bonés para trás
enrolam sonhos para o pulmão,
o censor filtra-os e faz a escolha.
sonho sem filtros, vejo fumo no meu olhar
os piratas com material original levam alguém da minha vida todos os verões,
são partidas de verão que não aumentam as estatisticas de emigração.
procuro por respostas em sonhos bizarros
durmo mais de uma vez ao dia para aumentar a chance de apareceres.
catarina vive num outro futuro
mas tudo continua igual por cá,
a ganza não aumenta de preço apesar da inflação,
e atrás do prédio, as raparigas fumam os seus sonhos porque o futuro ainda é distante.
sábado, 21 de setembro de 2013
santa maria da feira
nada é impossível, adidas ou puma felinos ao calçado do sapateiro, concerta
nas galerias ipanema saltos altos de garotas que não passam, sem cartazes
publicitários e identificação do seu espaço, faz o drive-in das reparações
take-away no outro lado da estrada. frio no atendimento aos clientes, não é um
marketing suicida graças ao boca a boca dos sapatos que salvou. nos cafés da
cidade o boca a boca publicita possíveis destinos de emigração, dão cordas ao
sapato para sentirem menos asfixiados com as contas, vivem para apertar são
palmilhas no país.
entre conversas sobre outros países uma pequena menina grita filha da puá para a mãe, aprendeu a insultar com as virgulas do pai nas conversas de café. Mas ele ignora a linguagem da filha, o sentimento de falhanço da mãe e o atendimento rápido de cabisbaixo perante desconhecidos que se tornam conhecidos na padaria onde trabalha.
a cidade marca-se por impressões escolhidas a dedos pela memória, há uma verdade mas quem a vai ver quando os novos estranhos estão por decifrar. o gordo quarentão tem menos um espectador quando joga futebol com miúdos não familiares. H nunca irá perguntar a razão de tanto querer, o cowboy nú provoca mais a mente na terra prometida do livro sagrado das conversas de café. E ele sabe que agora não tem mais poderes fora da sua terra, as mulheres que vivem na sua imaginação em ruas estrangeiras são desconectadas. a saudade escolheu no adeus a mulher de cara invulgar, bonita apesar do nariz grande. cinco anos depois do único olhar cruzado, a mulher sentou-se atrás do prédio enquanto miúdos faziam de gato sapato ao gordo.
entre conversas sobre outros países uma pequena menina grita filha da puá para a mãe, aprendeu a insultar com as virgulas do pai nas conversas de café. Mas ele ignora a linguagem da filha, o sentimento de falhanço da mãe e o atendimento rápido de cabisbaixo perante desconhecidos que se tornam conhecidos na padaria onde trabalha.
a cidade marca-se por impressões escolhidas a dedos pela memória, há uma verdade mas quem a vai ver quando os novos estranhos estão por decifrar. o gordo quarentão tem menos um espectador quando joga futebol com miúdos não familiares. H nunca irá perguntar a razão de tanto querer, o cowboy nú provoca mais a mente na terra prometida do livro sagrado das conversas de café. E ele sabe que agora não tem mais poderes fora da sua terra, as mulheres que vivem na sua imaginação em ruas estrangeiras são desconectadas. a saudade escolheu no adeus a mulher de cara invulgar, bonita apesar do nariz grande. cinco anos depois do único olhar cruzado, a mulher sentou-se atrás do prédio enquanto miúdos faziam de gato sapato ao gordo.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
casas sem cortinas
A madame do cabelo azul dona da gelataria roulotte, lembra-se de cada
cliente mesmo dos mais convencionais e dos pouco assíduos. De pouco assíduos
tornam-se clientes habituais à procura de um encontro noutro lugar. No pub da
frente servem o café da discussão. Bollywood em Londres sem dança,
maquilhada como actriz sente que está a perder no amor. Descarrega as emoções para a procura de calma e afeição do homem frio sem palavras que sai do pub em
silêncio, e cada pedido pela cadeira é recusada . Cadeira ocupada na esperança
que voltasse, ocupada por abraços esperados em cada conquista ao mundo, e as
conquistas não são compras, não veio para Londres por carteiras e vestidos. O
tom de voz e as falhas na voz aumentam no regresso do homem sem palavras, deita as
lágrimas entregues a si mesmas. As restantes pessoas
no pub permanecem nas suas conversas indiferentes ao sofrimento e sem vontade
de coscuvilhar. O homem sem palavras sai de novo ausente da mulher indiana que dá um compasso de espera mas depois da espera para sair, deixa o espaço
com um sorriso de uma futura vitória, acredita ter dado as noções para a procura de calma e
afeição.
No passeio um homem negro toca o blues na guitarra, a melodia deixa um velhote ressacado barbudo a ter uma bad trip ao lado do caixote de lixo, e além dele desmaiado, a madame que vende gelados na sua roulotte, ninguém parou para ouvir as suas canções apesar das moedas dos passos apresados.
Na autoestrada os carros estão parados sem haver acidente ou obras. A famosa canta-autora pedrada é o centro das atenções dos automobilistas e não algum carro danificado. Ela pede cigarros aos paparazzis que ignoram as suas palavras e limitam-se a tirar fotografias do seu caminhar desnorteado das drogas e de um amor perdido. Longe dos palcos não distancia a vida em nome do amor à arte, todo o seu distúrbio conforta-se em canções que engolem a pessoa.
Os solitários, as vidas destorcidas e os sofredores criam um novo mundo onde hiperbolizam pequenas coisas. O desassossego conforta-se na imagem de uma mulher estranha que vive no escritor sem livros. A mulher dos olhos azuis e brincos de pérola, sentou-se no lado duma mesa da marisqueira. Os seus avós entre camarões e lagostas não viram o seu sorriso de quem fica contente consigo mesmo depois de uma ideia, para ela o presidente da Russia senta de braços cruzados e solta gargalhadas irónicas no G8. A não atenção na mesa levou o olhar canhoto há procura do elogio para a mesa onde o escritor sem livros se encontrava, sorriu para o estranho guardar aquele momento comum dentro dele. O momento de volúpia ditou ao escritor o fim das amizades escolhidas por catálogo, pródigas de escolhas de casas sem cortinas onde nunca se entra mas vê-se o seu interior.
No passeio um homem negro toca o blues na guitarra, a melodia deixa um velhote ressacado barbudo a ter uma bad trip ao lado do caixote de lixo, e além dele desmaiado, a madame que vende gelados na sua roulotte, ninguém parou para ouvir as suas canções apesar das moedas dos passos apresados.
Na autoestrada os carros estão parados sem haver acidente ou obras. A famosa canta-autora pedrada é o centro das atenções dos automobilistas e não algum carro danificado. Ela pede cigarros aos paparazzis que ignoram as suas palavras e limitam-se a tirar fotografias do seu caminhar desnorteado das drogas e de um amor perdido. Longe dos palcos não distancia a vida em nome do amor à arte, todo o seu distúrbio conforta-se em canções que engolem a pessoa.
Os solitários, as vidas destorcidas e os sofredores criam um novo mundo onde hiperbolizam pequenas coisas. O desassossego conforta-se na imagem de uma mulher estranha que vive no escritor sem livros. A mulher dos olhos azuis e brincos de pérola, sentou-se no lado duma mesa da marisqueira. Os seus avós entre camarões e lagostas não viram o seu sorriso de quem fica contente consigo mesmo depois de uma ideia, para ela o presidente da Russia senta de braços cruzados e solta gargalhadas irónicas no G8. A não atenção na mesa levou o olhar canhoto há procura do elogio para a mesa onde o escritor sem livros se encontrava, sorriu para o estranho guardar aquele momento comum dentro dele. O momento de volúpia ditou ao escritor o fim das amizades escolhidas por catálogo, pródigas de escolhas de casas sem cortinas onde nunca se entra mas vê-se o seu interior.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
rarafeita
transparente e passageira, rarafeita vai e vem. forja sonhos para os viver quando os meses não estão loucos. Dona do café onde crianças reunem-se para tertúlias, deus é um cão gigante! e outras frases espontanêas surgem das bocas delas sem medos. São os novos Nietzsche num espaço onde o homem que se acha Napoleão não acredita ser super-homem. rarafeita tem um escritório de psiquiatria no andar de cima do café, recebe todos os dias o falso Napoeleão que vive com o trauma de ter um testículo. O café de noite é um cabaret e o falso Napoleão acredita em que cada sorriso das dançarinas, sorriem com escárnio do mono-testicúlo apesar de nunca o terem visto nú.
transparente e passageira, rarafeita vai e vem. forja sonhos para os viver quando os meses não estão loucos. quer ser a cura nas mentes incertas, em dias que vive travestida para seduzir homens inteligentes com falas de homens. A homossexualidade intelectual dos homens torna rarafeita uma criança descontente, nem o arrancar de cabeças das bonecas devolve a felicidade. o eu criança, procura o elogio sincero pela sua própia estética e não da estética dos demais. porque admirar rarafeita por ter lido palavras de Dostoevsky quando tem as suas própias palavras?
transparente e passageira, rarafeita vai e vem. forja sonhos para os viver quando os meses não estão loucos. o mês está louco e pensa-se que o cúpido é um ser androgeno coberto de ligaduras que vive numa caravana em Holywood decorada de post-hits com frases modelo.
o mês não está louco, e rarafeita quer fazer as pessoas felizes. o mês não está louco, e rarafeita quer ensinar a magia dos sonhos serem vividos a um não crente. O falso Napoleão foi um dos novos crentes, partiu para a conquista da Europa confiante duma vitória na qual ninguém arrancará os propios tomates para atirá-lo em desdém.
transparente e passageira, rarafeita vai e vem. forja sonhos para os viver quando os meses não estão loucos. quer ser a cura nas mentes incertas, em dias que vive travestida para seduzir homens inteligentes com falas de homens. A homossexualidade intelectual dos homens torna rarafeita uma criança descontente, nem o arrancar de cabeças das bonecas devolve a felicidade. o eu criança, procura o elogio sincero pela sua própia estética e não da estética dos demais. porque admirar rarafeita por ter lido palavras de Dostoevsky quando tem as suas própias palavras?
transparente e passageira, rarafeita vai e vem. forja sonhos para os viver quando os meses não estão loucos. o mês está louco e pensa-se que o cúpido é um ser androgeno coberto de ligaduras que vive numa caravana em Holywood decorada de post-hits com frases modelo.
o mês não está louco, e rarafeita quer fazer as pessoas felizes. o mês não está louco, e rarafeita quer ensinar a magia dos sonhos serem vividos a um não crente. O falso Napoleão foi um dos novos crentes, partiu para a conquista da Europa confiante duma vitória na qual ninguém arrancará os propios tomates para atirá-lo em desdém.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
mãos de submarino
a casa de banho é a pista de dança,
dança sozinha e olha para o espelho
moça tão narcisista mas adorável
com os seus pés sujos e mãos de submarino.
não cumprimenta com aperto nem com beijos na cara,
apenas quer os germes para calcar.
diz velhas piadas sem o acompanhamento de coca colas,
e cola as orelhas do dumbo e voa com brinquedos de papel.
vive todas as técnicas de guerra em situações bizarras,
chineses olham de falcão as suas compras baratas.
ela finge um roubo até pararem de a seguir,
é humor observasional e sem sentido
como aquele desenho animado da Tv por cabo
se mandasse no mundo, auto se casava,
gosta de falar sozinha mas nunca envia mensagens para o seu telefone.
conhecerão alguem frio como um batido?
porque respostas que te deixam sem jeito poderão surgir,
e todo homem com dobro da idade fugirá em minutos.
dança sozinha e olha para o espelho
moça tão narcisista mas adorável
com os seus pés sujos e mãos de submarino.
não cumprimenta com aperto nem com beijos na cara,
apenas quer os germes para calcar.
diz velhas piadas sem o acompanhamento de coca colas,
e cola as orelhas do dumbo e voa com brinquedos de papel.
vive todas as técnicas de guerra em situações bizarras,
chineses olham de falcão as suas compras baratas.
ela finge um roubo até pararem de a seguir,
é humor observasional e sem sentido
como aquele desenho animado da Tv por cabo
se mandasse no mundo, auto se casava,
gosta de falar sozinha mas nunca envia mensagens para o seu telefone.
conhecerão alguem frio como um batido?
porque respostas que te deixam sem jeito poderão surgir,
e todo homem com dobro da idade fugirá em minutos.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
saturno e manguitos
A única fotografia que guardo é da versão chinesa da Mia. Mia foi a
primeira pessoa a tirar-me da realidade, e a falta de realismo das suas
fotografias fazem-me guardar a foto de uma mulher com outro tom de pele
e ângulo dos olhos. A face de Mia perde expressividade, linhas
descaem provocando uma simetria pouco convencional, com toques de
caracterização seria um zombie. Encontrei a fotografia da sua versão
chinesa numa agência internacional de noivas, não a escolhi, limitei-me a
pegar na fotografia e sair porque finalmente poderia recordar
visualmente Mia. Sei que é a sua versão mais barata, e serve porque ela
não utiliza palavras caras. Quando olho para a fotografia, oiço as
palavras que me disse algures em 1999 na Croácia - " Confia apenas
na mulher bonita que continua sendo bonita ao fazer o gesto do dedo do
meio e nunca confies em raparigas de óculos de sois redondos e grandes."
E recentemente todos os dias, a qualquer hora que ando na rua a mesma
mulher magricela com óculos de sol grandes e pretos cruza-se comigo,
nunca lhe disse uma palavra.
Até hoje nunca vi uma mulher que continua bonita ao mandar fuder com o dedo pessoas, nem mesmo Mia e todos dias espero que cruzemos na rua e a saudação ser feita com um manguito. Vivo perdido em Moçambique, e ela vive perdida algures, nunca mais a vi depois de termos encontrado na Nova Zelândia em 2000. Entre Croácia e Nova Zelândia o nosso barómetro de sentimento aumentava em cada riso, e diminuia em cada dúvida de algo até se esclarecer e retomar a posição do barómetro na minha carta seguinte.
Estamos perdidos no mundo, um mundo que nos juntou em outras ocasiões. E não será nesta rua onde se vendem galinhas enjauladas que iremos voltar-nos a ver. As vendedoras de galinhas cantam o seu produto e o seu preço baixo, ao lado de homens que vendem artesenato e carteiras de mulher Luois Vuitton, e a versão asiática de Mia a vender os seus aneis de noivado e casamento. Um homem aproxima-se da sua banca e pede-lhe num casamento de duração de duas horas, e assim não se sentir pecador. Ela faz o manguito com a mão direita, e ao contrário da sua versão caucasiana permaneceu bonita, mas pelos aneis que vende de todos os seus ex-maridos que casou apenas para a venda, ela não é de confiança mas eu sei que Mia será. Imagino o dia e fico contente por futuros que nunca chegam.
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Até hoje nunca vi uma mulher que continua bonita ao mandar fuder com o dedo pessoas, nem mesmo Mia e todos dias espero que cruzemos na rua e a saudação ser feita com um manguito. Vivo perdido em Moçambique, e ela vive perdida algures, nunca mais a vi depois de termos encontrado na Nova Zelândia em 2000. Entre Croácia e Nova Zelândia o nosso barómetro de sentimento aumentava em cada riso, e diminuia em cada dúvida de algo até se esclarecer e retomar a posição do barómetro na minha carta seguinte.
Estamos perdidos no mundo, um mundo que nos juntou em outras ocasiões. E não será nesta rua onde se vendem galinhas enjauladas que iremos voltar-nos a ver. As vendedoras de galinhas cantam o seu produto e o seu preço baixo, ao lado de homens que vendem artesenato e carteiras de mulher Luois Vuitton, e a versão asiática de Mia a vender os seus aneis de noivado e casamento. Um homem aproxima-se da sua banca e pede-lhe num casamento de duração de duas horas, e assim não se sentir pecador. Ela faz o manguito com a mão direita, e ao contrário da sua versão caucasiana permaneceu bonita, mas pelos aneis que vende de todos os seus ex-maridos que casou apenas para a venda, ela não é de confiança mas eu sei que Mia será. Imagino o dia e fico contente por futuros que nunca chegam.
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terça-feira, 4 de setembro de 2012
Parda
Quando se mostra mais que odiseias e oráculos, os olhos jogam há cabra-cega, transcendemos a imaginação ao wonderland dos mundanos, é algo honesto e inocente.
Os amantes modernos passaram pelo hospital e não chegaram olhar nos olhos de Parda. Fugiu com dores de cabeça e sem dioptrias que modificam os raios luminosos. Refugiou-se em lentes anamórficas, e enterrou uma relação estranha numa caixa de chuva no meio de hippies e geeks.
A senhora Apofénia conheceu Parda entre a semente da coincidencia no seu mini-mercado do novo bairro. Parda quis comprar pimenta para meter no seu carro de modelo Gpl. É gás pimenta numa nova via de transmissão mas no mini-mercado a pimenta se esgostou, apenas restava 3,14 mentas.
O tempo passou, Parda conheceu mais pessoas de desordem a desordem, de transtorno a transtorno apresentou-se a um especialista como personalidade esquiva, contudo nunca houve uma sessão de terapia. Ela não liga só se desliga, não cobriu a manta com marés vivas porque a unica água que quer tem gás. Pimenta e cegueira,Parda e morfina extraída de dores.
Ontem há noite houve festa nos suburbios, esteve um par de horas deitada, imobilizada e nua enquanto comiam sushi no seu corpo. No fim da refeição não havia loiça para lavar, bebeu e dançou com as pessoas do bairro, sem facas e tiros não houve um ataque de pânico.
Cubo de rubik em pessoa para ser resolvida por daltónicos enquanto se dá canções sinceras, é a versão pornográfica de Alice no país das maravilhas. Passou um ano desde do inicio do plano e dois meses para a sua realização, Parda usa o bigode de Chaplin para transformar humor de situações em planos de fuga de John Dillinger, tudovia apesar da fuga a conversa nunca foi socialmente inibida com os amantes modernos.
domingo, 2 de outubro de 2011
caleidoscópio, livro de morte
Esta é a historia de uma mulher que a mente é um caleidoscópio com ilustrações de textos funerários do antigo Egipto. Apesar de a morte estar num fechar de olhos, ela maquilha os seus lábios com batom rosa. O caminho da morte é colorido quando existe um olhar que vê além do homem com uma mascara do presidente dos Estados Unidos da América e do homem macaco gordo e careca. É nos olhos azuis e na sensibilidade da sua escrita do homem musculado com dentes tortos e amarelos que ela vê uma razão além do dinheiro para estar num espaço minúsculo cheio de homens desconhecidos. Sempre que fecha os olhos, a miragem dos portões da morte absorvem os seus pensamentos, ela recita feitiços aos deuses para vencer os homens com cabeça de animais e os objectos cortantes que voam misturados com os insectos carregados de veneno. A visão de um caminho até ao julgamento do seu coração numa balança, é a sobrevivência depois da morte. Apenas os olhos azuis do homem com aspecto bárbaro retrogrado de uma antiga civilização, fazem-la sair do óbito. Ela abre os olhos e contempla o olhar, ajusta e branqueia os dentes dele com inteligência espacial a mesma inteligência espacial que transforma o homem peludo gordo e careca num homem com cara de animal quando fecha os olhos. A inteligência espacial é auxiliada por barras de chocolate da via láctea que enchem os seus seios, e o homem mascarado de presidente dos Estados Unidos Da América não apresenta diplomacia, apalpa os enormes seios com um toque austero, nada agradável. Fecha os olhos, recita um feitiço contra animais hostis, recita em seguida outro feitiço contra as cobras que comem cus e pede aos guardiões para que ninguém arranque o seu coração.
domingo, 28 de agosto de 2011
Hollywood:Boulevard

Hollywood Boulevard, onde em lajes imortalizam-se estrelas do entretenimento e actores de situação profissional instável ganham o seu sustento na base de gorjetas em cima de um passeio que homenageia milionários. Eles vestem-se como personagens de banda-desenhada, ou são sósias de actores, perfilam assim pelas ruas tirando fotografias com turistas. Percebe-se que são turistas, porque além de turistas apenas bêbados achariam boa ideia tirar uma foto junto de uma Marilyn Monroe com um dente de chumbo na frente e dois ou três dentes caídos. Na rua existem cinco Elvis Presley, do gordo ao lingrinhas não acertam no corte e volume das suíças. A procura da perfeição na imitação não preocupa a quase ninguém nesta rua, não são carteiras ou quadros, são pessoas com sonhos alimentados em castings e a rotina de usar fatos de super-heróis rascas e carnavalescos, repletos de sujidade como se sujassem para salvar o mundo, e não terem tempo para coisas mundanas como lavar a roupa. Existem várias personagens repetidas ao longo da rua, mas Wonder Woman só existe uma. A Wonder Woman de Holywood Boulevard alimenta fantasias de homens rebarbados que olham para o seus seios, e para o seu rabo descaradamente. Os trajes diminutos que realçam o corpo típico de heroínas da banda desenhada, aliado a uma enorme simpatia, e um carisma singular levam que imensos homens tirem fotografias com ela. Turistas e não turistas todos querem arranjar um pretexto de estar ao lado de uma mulher bonita. Ao contrário de outras personagens na rua que vestem sempre a mesma roupa, Wonder Woman varia entre dois trajes de diferentes um mais curto que o outro mas sempre com as suas botas vermelhas até ao joelho
Os seus olhos cinzentos esverdeados, cabelos pretos longos, cintura fina e corpo voluptuoso das ancas aos seios, agradam biologicamente aos homens que passam por ela, contudo acha-se gorda. É a eterna questão das mulheres sobre o peso ideal, o que os homens pretendem e o que revistas escritas por outras mulheres idealizam.
Na personagem esconde as frustrações das constantes discussões com o seu marido por nadas e o seu desinteresse em programas a dois. A Wonder Woman de Hollywood Boulevard é uma mulher comum com problemas, não é uma heroína maravilha com a força de Hercules, a sabedoria de Atena, a beleza de Afrodite e a velocidade de Hermes. Mas naquela rua transite essa ilusão, a ilusão do ser, como quando alguém gosta de outra pessoa e na fase de esquecer o sentimento, vê em outra pessoa semelhanças quando na realidade é tão diferente. O erro está em querer esquecer um bom amor quando a única razão é de uma parte não sentir o mesmo. Existe um sentimento mais controlado, platónico que permanece presente até sem ele não entrarmos em falsos mundos, e tornar coisas feias em bonitas. As 160 fotos tiradas com a Wonder Woman para que me servem se não sou fotogénico, e aquela simpatia e jeito de ser se é a mesma para milhares de pessoas. Em algumas fotos pensei estar acompanhado da Wonder Woman, olhando agora reparo que estou ao lado da Marilyn Monroe do dente de chumbo.
O cemitério
O cemitério é um local de reflexão e de memória de um vivo com um morto. As cruzes coladas ao memorial esculpido em pedra por cima das sepulturas cavadas debaixo de terra, não afastam o gangue que tomou conta do cemitério no Oeste de Bueno Aires. Vivem nos restos de uma casa que foi ardida, a única habitação perto de um cemitério isolado das concentrações de vivendas e de apartamentos. Vestem fatos de marca comprados com o dinheiro dos assaltos a viúvas, viúvos, órfãos e das outras pessoas que visitam o cemitério para rezas, conversas imaginárias ou de quem sente saudade e largam lágrimas, sorrisos. Formalmente vestidos os assaltantes estão atentos 24 horas por dia, repartidos por dois turnos para que o sono não roube potenciais bens materiais ou dinheiro. Roubam colares, relógios, carteiras, roupa tudo que sirva para vender ou usarem. Os cintos roubados usam-nos para se sufocarem e ficarem pedrados com a falta de ar nos meses em que poucas pessoas são avistadas,e o dinheiro para a droga escasseia. Novos cintos, camurça, sintético tudo serve na moca, e afastarem-se da realidade. Alimentados por armas, mocas, sandes, prostitutas e da saudade dos visitantes de familiares ou amigos falecidos, construíram o seu império num cemitério, e vendem a mercadoria em feiras, ou em lojas de segunda mão. Para quem continua a visitar o cemitério, os assaltos funcionam como um acto de rotina, um bilhete de entrada, no entanto as pessoas que não visitam mais por medo, encontraram outras maneiras de recordar os falecidos.
Visitava o cemitério uma vez por ano, comecei as visitas há cinquenta anos atrás quando era um simples cemitério sem um gangue a tomar por assalto. Foi ali que enterrei os brincos de uma mulher que conheci em Istambul. Pediu-me para guardar os seus brincos num cimitério até ao dia que me encontrasse de novo, mas as rugas fazem-me sentir mais próximo da morte do que com ela. Sofro de pé de atleta e ela provavelmente contraiu o fungo de mim, porque tenho corrido com ela depois de cada assalto.
Dez anos depois da ultima visita aconteceu algo de diferente do habitual, entrei no cemitério e encontrei os corpos dos homens do gangue mortos, não havia cintos nem drogas por perto que indicasse uma overdose. Momentos depois ao som de um piano desafinado, apareceu em passo lento através da nuvem de nevoeiro que pairava o local, uma rapariga descalça com um vestido de noiva preto com rosto coberto com cachecóis e por pedaços dos seus longos cabelos ruivos. Ela disse-me que a mulher dos brincos esqueceu-se do brinco, de mim porque se iludiu com uma enciclopédia cultural com picos de cactos. A rapariga também me obrigou a casar com ela e para retirar os brincos do fundo da terra para lhe oferecer ou se não mataria a minha imaginação. Casámos por separação dos bens, quando nos divorciarmos ela terá direito à minha imaginação, e eu os brincos. Encontro-me sequestrado num casamento com alguém que nunca vi a cara, e passa os dias estática em cemitérios há espera da minha morte para levar a minha imaginação.
Visitava o cemitério uma vez por ano, comecei as visitas há cinquenta anos atrás quando era um simples cemitério sem um gangue a tomar por assalto. Foi ali que enterrei os brincos de uma mulher que conheci em Istambul. Pediu-me para guardar os seus brincos num cimitério até ao dia que me encontrasse de novo, mas as rugas fazem-me sentir mais próximo da morte do que com ela. Sofro de pé de atleta e ela provavelmente contraiu o fungo de mim, porque tenho corrido com ela depois de cada assalto.
Dez anos depois da ultima visita aconteceu algo de diferente do habitual, entrei no cemitério e encontrei os corpos dos homens do gangue mortos, não havia cintos nem drogas por perto que indicasse uma overdose. Momentos depois ao som de um piano desafinado, apareceu em passo lento através da nuvem de nevoeiro que pairava o local, uma rapariga descalça com um vestido de noiva preto com rosto coberto com cachecóis e por pedaços dos seus longos cabelos ruivos. Ela disse-me que a mulher dos brincos esqueceu-se do brinco, de mim porque se iludiu com uma enciclopédia cultural com picos de cactos. A rapariga também me obrigou a casar com ela e para retirar os brincos do fundo da terra para lhe oferecer ou se não mataria a minha imaginação. Casámos por separação dos bens, quando nos divorciarmos ela terá direito à minha imaginação, e eu os brincos. Encontro-me sequestrado num casamento com alguém que nunca vi a cara, e passa os dias estática em cemitérios há espera da minha morte para levar a minha imaginação.
terça-feira, 1 de março de 2011
O homem que quis por o universo em tribunal
Sou uma perífrase da Alice no país das maravilhas, a a Goldilocks devorada por ursos depois de ter adormecido em conforto. Coloco o aspirador na minha boca, sem efeitos práticos porque não aspirou a dor. Ando por campos de cevada com insectos mortos a fazerem pontos em feridas, tento fugir dos shinobis de chernobyl, mercenários contratados para assassinar a actividade da minha rádio. Treinei a pergunta inicial mas nunca mais vi a rapariga estrábica, ainda finjo ter síndrome de asperger e nem sequer estou na sala do psicólogo. O universo ligou-me, disse que estava cansado da minha felicidade, e que eu já tinha noções de coisas bonitas, teria que me preparar para o eterno retorno da melancolia, do grito ou do afastar de alguém ou o impulso ridículo de alguém que me afectará. Eu respondi que já pressentia, desliguei a chamada, e comecei a elaborar um plano para meter o universo em tribunal. Não segui com o plano, o universo levou-me por caminhos menos comuns sofrendo ou não, caminhos onde adquiri noções de coisas belas vivendo-as, coisas que me fizeram apagar pré-definições do cliché. Descalço, sem cortar as unhas há seis meses, escondo os pés na cevada enquanto uma mulher naturalmente magra, de cabelos da cor de castanhas e de olhos azuis, vestida com um vestido branco, pousa na minha mão uma pistola de ar, insiste que eu dispare na sua boca para acalmar o seu ataque de asma. Sou um homem com uma pistola na mão, o universo sabe disso, e se ele quiser me tramar arranjaria maneira de meter balas nisto. Tenho consciência que a minha vida é estranha, e que nunca serei feliz pelos menos com os parâmetros idealizados pelas pessoas, por isso que agarro nas pequenas coisas que me fazem sorrir. Durante dias fui ao mesmo espaço da estrábica na esperança de voltar a ver-la, sem sucesso até ao dia que no meu sair, e na sua entrada, disse-me boa noite. O seu olhar estrábico, manteve-se desviado do meu. Respondi boa noite depois de um segundo de hesitação, sem saber se me ouviu, mas eu soube desde daí que nunca mais iria a ver, tal como nunca mais vou ver a mulher que morreu à minha frente com uma bala. A pistola que era para a sua salvação, matou-a. Ahhhhhhh universo...
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Dna
Melinda, na rua onde vive dizem que é fascista
Ela tem uma doença genética herdada que faz perder o cabelo
Tem um namorado taxista, que odeia conversar sobre o tempo
Ele conhece todas as ruas
Tem uma grande memoria herdada pela doença do seu avó
No seu taxi está Afonso, um ex-namorado de Melinda
Acabaram os dois quando um dia foram à praia
Ele tem problemas com as hormonas por isso é muito peludo
Ele trabalha como esteticista retirando pelos a outros homens
O seu aspecto pode não ser um bom cartão de visita, mas tem a sua clientela
Ele tem excelentes capacidade de actor, mas recusa sempre o único papel que o dão
Ele não deseja representar um lobisomem, prefere papeis mais dramáticos
Se não herdasse o problema genético, provavelmente seria um actor galardoado e as mulheres aproximariam dele.
Está apaixonado por Marta, uma senhora que trabalha na caixa do hipermercado
Ela é lésbica, uma mulher bonita, que os familiares dizem que sai à mãe
Ela é bastante irónica, mas ao mesmo tempo muito gentil
Marta namora com uma lutadora de boxe de nome Francisca
Ela era uma criança adorável, no entanto o tempo levou-lhe a ser um patinho feio
Alguma coisa correu errado nos genes da beleza no processo de crescimento
Apesar de tal, arrisca em cada combate ficar com a cara mais danificada
Tem um espírito guerreiro para ultrapassar as adversidades
A sua namorada Marta é muito assediada por homens e mulheres mesmo que heterossexuais
Ela ama Franscica e nunca a traiu, só que Francisca já traiu Marta
A esquerda, direita, o golpe frontal, o gancho libertavam a sua raiva com outras mulheres
Mas a traição com Afonso, finalmente fez-la sentir bela
Miguel é desempregado, e liga todos dias a Melinda
Além de escritora, ganha um extra ás escondidas, seduzindo homens solitários numa linha erótica
Ele é obeso e diabético, tal como os seus avós, pais, e irmãos
Um dia perdeu peso fazendo uma dieta, porém ganhou-lo rapidamente
Gosta de mulheres loiras, e Melinda descreve-se como ele pretende
Finge que não tem careca, finge-se interessada, finge orgasmos
Ele finge o seu corpo, finge uma profissão, finge as razões porque liga
Sente-se solitário, sem amigos, sem ninguém para conversar,
mal consegue andar por isso não compra jornais para ligar para os serviços de uma prostituta.
Arranjou o numero através de um anuncio na televisão, e arranjou um método para ganhar dinheiro para os seus gastos,
Ele burla homens passando-se por uma ucraniana, promete amor, carinho e dedicação.
E um dia pede dinheiro para a viagem para finalmente estarem pessoalmente,
o namorado de Melinda foi um desses homens.
Ela tem uma doença genética herdada que faz perder o cabelo
Tem um namorado taxista, que odeia conversar sobre o tempo
Ele conhece todas as ruas
Tem uma grande memoria herdada pela doença do seu avó
No seu taxi está Afonso, um ex-namorado de Melinda
Acabaram os dois quando um dia foram à praia
Ele tem problemas com as hormonas por isso é muito peludo
Ele trabalha como esteticista retirando pelos a outros homens
O seu aspecto pode não ser um bom cartão de visita, mas tem a sua clientela
Ele tem excelentes capacidade de actor, mas recusa sempre o único papel que o dão
Ele não deseja representar um lobisomem, prefere papeis mais dramáticos
Se não herdasse o problema genético, provavelmente seria um actor galardoado e as mulheres aproximariam dele.
Está apaixonado por Marta, uma senhora que trabalha na caixa do hipermercado
Ela é lésbica, uma mulher bonita, que os familiares dizem que sai à mãe
Ela é bastante irónica, mas ao mesmo tempo muito gentil
Marta namora com uma lutadora de boxe de nome Francisca
Ela era uma criança adorável, no entanto o tempo levou-lhe a ser um patinho feio
Alguma coisa correu errado nos genes da beleza no processo de crescimento
Apesar de tal, arrisca em cada combate ficar com a cara mais danificada
Tem um espírito guerreiro para ultrapassar as adversidades
A sua namorada Marta é muito assediada por homens e mulheres mesmo que heterossexuais
Ela ama Franscica e nunca a traiu, só que Francisca já traiu Marta
A esquerda, direita, o golpe frontal, o gancho libertavam a sua raiva com outras mulheres
Mas a traição com Afonso, finalmente fez-la sentir bela
Miguel é desempregado, e liga todos dias a Melinda
Além de escritora, ganha um extra ás escondidas, seduzindo homens solitários numa linha erótica
Ele é obeso e diabético, tal como os seus avós, pais, e irmãos
Um dia perdeu peso fazendo uma dieta, porém ganhou-lo rapidamente
Gosta de mulheres loiras, e Melinda descreve-se como ele pretende
Finge que não tem careca, finge-se interessada, finge orgasmos
Ele finge o seu corpo, finge uma profissão, finge as razões porque liga
Sente-se solitário, sem amigos, sem ninguém para conversar,
mal consegue andar por isso não compra jornais para ligar para os serviços de uma prostituta.
Arranjou o numero através de um anuncio na televisão, e arranjou um método para ganhar dinheiro para os seus gastos,
Ele burla homens passando-se por uma ucraniana, promete amor, carinho e dedicação.
E um dia pede dinheiro para a viagem para finalmente estarem pessoalmente,
o namorado de Melinda foi um desses homens.
O restaurante
Bairro Alto, entre ruas estreitas e casas rústicas em tons de cinzento situa-se o restaurante "Cherry Pop". O espaço contrasta com a rusticidade das casas, luxuoso com um pavimento de quadrados de madeira preta alternando entre o mais escuro e claro,cores que contrastam o branco sujo do tecto de ripas em mosaico. O espaço é pouco iluminado que promove um ambiente romântico nas mesas de madeira escura em quem se senta aconchegado na almofada que massaja as costas, e impede o toque da madeira da cadeira. Um homem janta sozinho na mesa mais central do restaurante, é o único cliente presente e existem cinco serventes para o atender. Chegaram as entradas, o seu pedido foram vieiras gratinadas. Mas os outros quatro serventes cada qual trouxe uma entrada diferente, caranguejo com marinado de acabacate, cocktail de camarão, crepe de lagosta e pão de alho. O homem disse aos serventes que não tinha pedido aqueles pratos, e que não ia pagar o que não pediu. Eles agarram-no ameaçando que se não comesse, iriam espancar-lo até perder os sentidos. Mais vale comer encher a barriga, do que levar um enxerto de porrada pensou ele. Pouco antes havia pedido para cancelar o prato principal, os serventes negaram tal e disseram que já estava pedido. O homem calou-se, e comeu cada um dos pratos sob o olhar dos serventes. A dose é curta, o preço é alto mas é uma questão de proteger a sua integridade física. Os serventes levaram os pratos de volta para cozinha, e rapidamente trouxeram cinco pratos principais. O aspecto da comida era mais caseira, e as doses maiores. Diferenciava-se imenso com a ementa apresentada, na mesa e na mesa de apoio encontram-se cabrito assado, bacalhau à Zé do Pipo, frango frito, francesinha e arroz do polvo. O homem está cheio, mas é obrigado a comer. Começa pelo frango frito, e aguenta sem vontade de vomitar. No entanto não acontece o mesmo com os outros pratos, a cada sinal de vomito ameaçaram-no. Ele foi obrigado a engolir o seu vomito, e engoliu-o várias vezes. Quando acabou de comer toda a comida, trouxeram a conta e tiraram o seu cartão de crédito, e perguntaram pelo código. O homem não conseguia falar, então pediram para com o abanar da cabeça fazer a contagem. A conta foi paga com um valor enorme, ganharam a noite com aquele homem, apesar do seu sofrimento e da sua obrigação em comer. No fim de tudo trouxeram uma cadeira de rodas e puxaram até à saída, e ele por lá ficou sem se conseguir mexer. Até que apareceu um senhor de uma empresa de prestação de serviços que puxa carrinho de rodas de quem comeu muito num restaurante, e o homem sem outra opção aceitou as condições de pagamento. 300 euros para serem pagos em três prestações, endividado e sujeitado a condições sádicas de outros, regressa ao seu apartamento alugado sabendo que a empresa onde trabalha irá o despedir em breve, porque vão fechar uma linha de produção devido ao consumo do produto fabricado ter diminuído.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
:madonna puta:
Não sou a senhora dele, ela é vista como pura, intocável sexualmente,
uma virgem Maria sem ter parido Jesus, uma doce mãe que cuida do seu
filho e da casa que habitam. Ele disse-me - Não entres na cozinha porque
és uma concubina. O mundo para ele é um bordel onde as mulheres puras
não entram para serem mais puras que outras. Na sua mente sou um corpo
que respira obscenidade e pecado, não adianta eu argumentar que como
publicitária atraio pessoas através de campanhas publicitarias e não em
bermas de ruas que atravessam matos ou anúncios de jornais que mais
parecem uma concentração de bumbums gostosos.
:Uma madonna, e o resto das mulheres são putas, menos as virgens:
Sexo e emoções não estão sincronizados nele, amor não tem sexo, sexo é coisa de galdérias. As mulheres a seu ver não se importam de serem jogadas para fora em relações onde o seu amor/paixão é fingido para levar avante a fornicação. Pensara eu que era interpretação de papeis, os nomes de puta,vaca que me chamava eram afinal o seu pensamento sobre mim. Não sou a pura mentalmente nem de corpo, sou uma concubina em público, e na cama, a madonna é uma senhora em público, dona de casa no lar que não dança em discotecas e não tem sex appeal nem conversas de flirt. Ele em casa cozinha e nunca janta fora porque a cozinheira pode ser uma mulher, lava a loiça e as roupas, limpa o chão e o mobiliário da casa, contudo se uma senhora das limpezas no shopping estiver a lavar não tira-lhe a máquina de lavar o chão. Contraditório e complexo, a madonna divorciou-se para explorar outro corpo fundindo tal com sentimentos, e até ele amar outra mulher que nunca fornicou não terá outra madonna. Uma mulher com quem ele teve sexo, é alguém para não se amar. Quando procurei afecção, ternura e diversão, tornei-me uma concubina não paga com refeições quentes na mesa e casa sem limpa de pó, até o dia que saí da casa que ambos alugamos. Farta de ser puta, mal-amada, traída e dos homens que levava a casa com o propósito de ele assistir a luxúria desses mesmos homens comigo. Homens que eu pagava 10 euros a cada um para não ter relações. Chamo-me Amanda, a concubina selectiva.
:Uma madonna, e o resto das mulheres são putas, menos as virgens:
Sexo e emoções não estão sincronizados nele, amor não tem sexo, sexo é coisa de galdérias. As mulheres a seu ver não se importam de serem jogadas para fora em relações onde o seu amor/paixão é fingido para levar avante a fornicação. Pensara eu que era interpretação de papeis, os nomes de puta,vaca que me chamava eram afinal o seu pensamento sobre mim. Não sou a pura mentalmente nem de corpo, sou uma concubina em público, e na cama, a madonna é uma senhora em público, dona de casa no lar que não dança em discotecas e não tem sex appeal nem conversas de flirt. Ele em casa cozinha e nunca janta fora porque a cozinheira pode ser uma mulher, lava a loiça e as roupas, limpa o chão e o mobiliário da casa, contudo se uma senhora das limpezas no shopping estiver a lavar não tira-lhe a máquina de lavar o chão. Contraditório e complexo, a madonna divorciou-se para explorar outro corpo fundindo tal com sentimentos, e até ele amar outra mulher que nunca fornicou não terá outra madonna. Uma mulher com quem ele teve sexo, é alguém para não se amar. Quando procurei afecção, ternura e diversão, tornei-me uma concubina não paga com refeições quentes na mesa e casa sem limpa de pó, até o dia que saí da casa que ambos alugamos. Farta de ser puta, mal-amada, traída e dos homens que levava a casa com o propósito de ele assistir a luxúria desses mesmos homens comigo. Homens que eu pagava 10 euros a cada um para não ter relações. Chamo-me Amanda, a concubina selectiva.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Morte do sol
O calor não se aprisiona no seu corpo, espalha-se no universo
As suas explosões destroem de quem lhe é sustentado, ou pintam o céu de outras cores
Buracos no sol, mandando a morte, arte entre ventos, luzes e elementos de física
Retira-se do que é dele, com causa efeito entre a gratidão e o ódio
A morte do sol é um paradoxo, uma morte escura, fria e sem calor.
Quem me dera agora estar na aurora da meia noite, na margem de um rio no Alaska,
debaixo de nuvens tingidas em vermelho claro, e um rasgo de luz esverdeada no céu,
no meio das árvores ordenadas e relva com volume, bastante desorganizada,
para que sozinho entenda os conceitos de um novo amanhecer.
Não sei muito da natureza ou de conversas ocasionais, mas sei quando chove,
não tenho vontade de sair de casa, e sei que não me saem mais frases sem sentido,
e não tenho sentido emoções quando a solitude parou de ser um crime.
Na próxima semana, virá um ciclone com o teu nome
Aí confirmarei como as lágrimas não voltaram ao rio, porque agora sei que as pessoas também sabem morrer como o sol.
As suas explosões destroem de quem lhe é sustentado, ou pintam o céu de outras cores
Buracos no sol, mandando a morte, arte entre ventos, luzes e elementos de física
Retira-se do que é dele, com causa efeito entre a gratidão e o ódio
A morte do sol é um paradoxo, uma morte escura, fria e sem calor.
Quem me dera agora estar na aurora da meia noite, na margem de um rio no Alaska,
debaixo de nuvens tingidas em vermelho claro, e um rasgo de luz esverdeada no céu,
no meio das árvores ordenadas e relva com volume, bastante desorganizada,
para que sozinho entenda os conceitos de um novo amanhecer.
Não sei muito da natureza ou de conversas ocasionais, mas sei quando chove,
não tenho vontade de sair de casa, e sei que não me saem mais frases sem sentido,
e não tenho sentido emoções quando a solitude parou de ser um crime.
Na próxima semana, virá um ciclone com o teu nome
Aí confirmarei como as lágrimas não voltaram ao rio, porque agora sei que as pessoas também sabem morrer como o sol.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Placenta
Era a perseguição ao dragão, um analgésico da auto-medicação a debilitação do estômago criou a epopeia dos novos tempos. O mesmo vazio das pessoas, revelou a lenda alguém confuso como eles, bipolaridade de idolatrar e tornar perfeito uma versão mais estragada. A sua face estava num concurso de televisão, pouco depois foi noticiado o cadáver, o olho não mais se encontra no dicionário ao lado da bíblia negra e a vida só tinha fé e significado com o sorriso da sua criança. Somam-se anos, a ingenuidade perde-se, pessoas desiludem. Há quem suporte a sua dor, mas não consegue viver na dor de quem o cordão umbilical ligou. Laura tornou-se adolescente, orfã de mãe, orfã de pai fugitivo que corre as ruas com um vestido de noiva. Ela desenhava em tons cinzentos, gordos e pessoas deformadas em frascos. Restos de grafite permaneciam nas mãos para fazer a sombra nos seus grandes olhos sem expressão. E em todas as suas fotografias do seu quarto, sorria cinicamente ou os lábios demonstravam perturbação com o distúrbio de fazer pose. Base branca enche o seu rosto, o seu tom natural cai nas emoções complexas, confusas e insensatas. Como os tóxicos na placenta na gravidez que não a deformaram, mas o seu sorriso foi deformado com coisas da vida. Rosa não é mais a sua cor favorita, o cuspir para o chão substituiu os beijos para o céu. Laura cortava as unhas de uma forma rispida, simulando teclas de piano. Enchia uma bacia de água para tocar percussão enquanto assistia do seu quarto um gato a violar uma gata. E observava na parede os seus desenhos de ovelhas ordenadas por robôs. O tempo passa, o mundo de maravilhas desaba com as sementes de tristeza atiradas como se não tivessem presas por laços. Laura tinha quarenta anos, ainda desenhava gordos e pessoas deformadas. Trocou a mansão que habitava por um pequeno estúdio onde ouvia a transmissão radiofónica da Guerra dos mundos pela voz de Orson Welles todos dias. Ocasionalmente conhecia pessoas, e foi num homem que desenhava pessoas anorécticas que sentiu o amor. Em tempos trocavam desenhos, mas um dia decidiu sem razões lógicas parar de falar com ele.
sábado, 19 de junho de 2010
Cardiologia
O madrugar do despertador acorda
métodos pensados na noite passada
métodos pensados na noite passada
e a doença do querer ainda permanece no meu corpo
Não estudo o que devia, interiorizo outras palavras
não me parece justo os nervos quererem que fujadepois de todo trabalho em organizar, e esperar
num cenário onde a sorte foi maior que o trabalho
Leva o meu sangue porque não estou preparado para a confissãoDá um olhar nas minhas informações, deve ser hereditário
perder a postura no meio de tantas interrogações.Pormenores estragados, danificam o plano
o meu cérebro estúpido adormeceu a palavra saudade
Matar as saudades é um crime
quando as intermitências encolhem no ombro.
O meu coração cria as minhas lesões cerebrais
Ritmo é lento na minha lógica própria
Acelera o dobro na hora de tirar as flores mortas
E já não me sorris mais.
domingo, 6 de junho de 2010
Não sei como
As palavras são tretas. Andamos a acreditar nelas quando apercebemos que ao nosso redor a sua não demonstração. Como comprarmos uma panela que não necessita de óleo para fritar, e ao experimentarmos não temos filetes, mas sim peixe fumado. É um buraco no coração, sombrio e amargo. Ela caminhou cegamente em minha direcção, com batom para pintar as palavras de vermelho a cada morder do lábio. Não me apeteceu pensar em palavras, acenei com piadas que lhe contei um dia na espera de se ter esquecido, e rir-se duas vezes da mesma piada como uma criança. Fiquei de pé atrás, reticente para não abrir um buraco no coração, ao ser levado um pedaço de mim por quem é o inverso de mim. Ela esperou pelo dia seguinte, dia seguinte do seguinte, seguinte do seguinte seguinte, por uns dias até ter uma oportunidade para uma chance de me fazer o raio x das palavras que me confortam. Estou um zombie, preciso de mais químicos para a minha mente, conseguiu-me tirar a dor de tocar no telefone para ligar, sem ligaduras. Não me diz nada, pareço um casaco abandonado no frio, inutil e vazio. As palavras na minha boca tornam-se, não acho piada quem se aproxima duma mesa reservada, para calcar os seus pés. Não acho piada usar-se os circuitos do meu humor para outra pessoa, renegando o seu uso em mim. Do cruzamento desta estrada ela subitamente aparece, o dia torna-se cinzento, os porcos na estrada começam a arder, os prédios ficam sem cor. Cegamente caminha, tira o seu coração sem buracos. Não o mexe como plastecina, aproxima-se de mim, e espanca-me com o seu coração a bater. Para que serve a destruição de camada de ozono, se o seu coração ainda recebe oxigénio, imploro por um novo ataque, o ataque cardieco. A sua boca não abre, palavras permanecem nela, restos de batom não ficam em mim. Aguento porque a vida é um fight club, no chão a sangrar faço uso da mesma piada pela terceira vez. Ela começa a rir-se com a boca fechada, para em seguida sufocar com a sua lingua. Morreu. Levanta-se do chão sem a criança que há dentro dela, como irei safar-me disto. A piada não irá resultar, mas se não tentar não saberei. Morreu. O dia, a cidade voltam ao normal, acabei de matar com a piada, a mulher com memória de peixe.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Botões da bolsa
O botão preto das minhas calças saiu. Tento usar como um brinco mas não tem utilidade, brinco com o botão pisando-o em cima da estante para fazer um dueto com o silencio. É o sentido de utilidade que damos ás coisas, quando não parecem ter mais sentido ou utilidade. Como uma mulher que se mutila embora goza com tal a pessoas de estereótipos onde tal é lhes atribuído. São conceitos renovados, sondados a suprir como próteses. Somos assim com as pessoas em momentos na vontade de sentir o que queremos viver , procuramos satisfazer as necessidades, idealizando e aplicando um conceito renovado da pessoa como nós a desejamos, lixando para o que a pessoa realmente é. Isto tudo me lembra aquela rapariga que eu achava bonita, pois sem mudar a fisionomia, hoje em dia aos meus olhos é igual a um travesti. As expectativas são uma morte lenta, apressada algures pela eutanásia. Já não especulo mais, as pessoas são como a especulação nas bolsas de valores, o investimento dado pode não corresponder ao retorno. Os olhos fazem acreditar ou fazer vontades à pessoa, resistir-los provoca maior lucidez nas nossas acções. É um risco ceder ao resistir de escrever uma historia por trás de um olhar. Dos eufemismos criados para hiperbolizar, o sangue nas minhas mãos é meu.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
A pop arte devolveu-me o dadaismo
Ao descer pela rua pensei que era a única pessoa do mundo. Até que num cruzamento, rapidamente uma mulher que parecia tão igual a muitas outras encontrava-se de costas. Enquanto eu olhava para o seu rabo apenas pensava que ela podia olhar para trás e dizer-me algo. E disse. Pediu-me lumes com a naturalidade de quem apresenta o bilhete identidade de nome Jesus Cristo. Ela era uma mulher com face pop arte estilo banda desenhada mais pálida que as mulheres que Roy Lichtenstein criara. Os seus braços eram feitos por traços de lápis feitos sem precisão duma régua mas apresentavam a elegância de fotografias a preto e branco. Ela era preto e branco, menos os seus lábios pintados a batom vermelho, e o lingerie prateado arcaico que é também uma armadura que lhe tapava os seios. O pescoço, as costas, a barriga, o resto do seu corpo eram feitos de jornais fanzines de música alternativa e punk dos anos 70 de forma cartoonesca. Perante peculiar mulher, não hesitei em responder ao seu pedido. A minha resposta foi afirmativa. Passei-lhe o isqueiro, e as suas bochechas pálidas ficaram rosa como numa pintura em aguarela. Voltou para o lado contrario que caminhávamos, porém ficou com o isqueiro que gentilmente emprestei pensando que seria eventualmente para ela fumar um cigarro e devolver-me o isqueiro. Depois de uns segundos de indefinição, fui atrás dela para pedir pelo meu isqueiro, respondeu-me que daria depois de pedir um cigarro. Eu tinha cigarros, mas recusou dizendo que não queria um cigarro meu, só o isqueiro. Caminhei junto dela na espera do meu isqueiro,e continuei a apreciar o seu rabo aproveitando para ler sobre bandas dos anos 70 nas suas pernas. A leitura em andamento era de difícil execução, confesso que olhei mais para o seu rabo que parecia ser a única coisa humana que tinha embora estivesse debaixo de pedaços de tecido de ganga. Não dissemos uma palavra durante o caminhar até que avistamos uma menina, que devia ter os seus três anos que andava sozinha na rua com um guarda chuva às três da manhã. A peculiar mulher pediu um cigarro à menina, com tal acto fiquei abismado. Como se não bastasse a menina tirou um cigarro do seu bolso, calcou-o até ficar inconsumível e continuou a caminhar calmamente como uma modelo numa passarelle. Ela pediu-me para roubar o guarda chuva da menina para não ficar molhada. Eu olhava para o seu rabo e pensava porque raio não me vê como suficientemente atraente para a deixar molhada que precisa de um guarda-chuva para se proteger. O meu alienar da realidade, não se apercebeu que ela tinha acabado de tirar um cigarro da sua lingerie. Devagar à medida que o cigarro se acabava, ela sumia-se como o tabaco. Só o seu rabo sobrou, seria para guardar e contemplar ou para eu o utilizar para o meu próprio prazer ? mas que me adiantava um rabo sem a pessoa. Nesse dia regressei para casa cansado, adormeci sem pensar no sucedido, embora contente por ter o meu isqueiro de volta.
terça-feira, 2 de março de 2010
Fios
Nuvens esburacadas de murros
Quem deu o murro ?
Gelo seco o terpeno que afasta o sol da cova
Deus não cai do buraco, mas o que nos cai em cima ?
Os canos de gases verdes são rebentados, caem em partículas extremamente violetas
Cobertores eléctricos aquecem o céu dentro dum forno ligado
Transmissores procuram o céu e aterram como olhos em solas de botas
Quem lava os pecados da destruição na experimentação do desconhecido ?
As ondas pequenas tomam banho ao teu cérebro
Antenas e fios ligados matam-nos de stress
Magnetismo, as tuas tempestades não ouvidas em rádios
Aguenta a frequência que ouves a voz de dentro,
os nautilóides narcisistas querem ser a espiral
O corpo é uma ilusão da energia que és
Desliga-te dos fios, cria e por uma vez vive o teu eu maior,
antes que o mar te leve com a pele ainda nos ossos
A tua imortalidade depende do que crias até à mortalidade
Quem deu o murro ?
Gelo seco o terpeno que afasta o sol da cova
Deus não cai do buraco, mas o que nos cai em cima ?
Os canos de gases verdes são rebentados, caem em partículas extremamente violetas
Cobertores eléctricos aquecem o céu dentro dum forno ligado
Transmissores procuram o céu e aterram como olhos em solas de botas
Quem lava os pecados da destruição na experimentação do desconhecido ?
As ondas pequenas tomam banho ao teu cérebro
Antenas e fios ligados matam-nos de stress
Magnetismo, as tuas tempestades não ouvidas em rádios
Aguenta a frequência que ouves a voz de dentro,
os nautilóides narcisistas querem ser a espiral
O corpo é uma ilusão da energia que és
Desliga-te dos fios, cria e por uma vez vive o teu eu maior,
antes que o mar te leve com a pele ainda nos ossos
A tua imortalidade depende do que crias até à mortalidade
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
A arte da guerra
O clima era quente num terreno húmido,abandonado e instável. Pensei num caminho de chegar até ti com subtileza, tu pensaste num caminho para chegar até mim com persistência. Eu tinha problemas na locomoção, e tu problemas de segurança. Não tinhas armadura para proteger dos ataques, eu fingia ter escudos e capacetes que me impedissem de ter feridas. Numa guerra não podemos dar a conhecer as nossas fraquezas, iludimos para não nos sentirem que somos sensíveis e susceptíveis a sedativos. A nossa disciplina era escassa, a comunicação eficiente, tínhamos um batalhão de ideias para ir à carga, dizias ter um casaco de couro confeccionado em pele de vaca para tua defesa. Cerravas-te a eles, e sem disciplina não sabias o que fazias, pensei que era mais uma ilusão, mas mais tarde percebi que a minha companhia não te passava por um passatempo. Os teus problemas de segurança eram notórios, mas atacavas sem medo com o auxilio de carabinas. Na minha companhia apenas tínhamos espadas que nem serviam para cortar as ervas daninhas no terreno. Fomos a batalha, sem pensar nas consequências e nos meios, atacamos os dois mas saíste por cima. Não sofreste os danos que sofri nesta guerra, porém nem chegamos a lutar. Sabias que ias ganhar, porque rapidamente percebeste que era frágil. Todo o fingimento só te deu mais vontade em derrubar-me, tinhas energia para fazer mudanças nas tácticas e surpresas que me deixavam mais vulnerável. Não tínhamos uma formação constante, mas soubeste adaptar e tiveste habilidade de me alcançar, absorveste da minha energia com a tua intensidade indefinível, ao contrario de outras guerras comigo dominaste o teu coração, energia, força. Eu cedia a impulsos, não aguardava pelos tempos correctos. Guerra ignóbil, a tua tropa era solidária porque ajudavam-se mutuamente, ao contrário da minha tropa, o nosso número era menor e cada um seguia a sua direcção, desorganizados e individualistas. Conhecias a mim o suficiente para não te sentires sob ameaça, conhecias o meu céu e terra o suficiente para me derrotares. Matamos silêncios, dores, prazeres no campo de guerra mas o teu fogo não irá devolver a minha vida, mataste-me pouco depois de eu não ter desistido, não tive tempo para armadilhas e simular a minha morte para depois de sete dias voltar com uma melhor estratégia. Fabricaste esta guerra devido a tua cólera e raiva de guerras passadas, transformaste a minha alegria em ira, e o prazer em cólera. Depois do fim, só me resta dizer que a paixão é um campo de batalha, morre sempre algo.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Playback
Pela janela vejo um pássaro a molhar os pés numa poça de água, entre graffitis mal desenhados e declarações de amor, de adolescentes que acreditam que o amor sente-se num muro. O sangue quente nos pés do pássaro, fazem-o permanecer no frio, e na água gelada. Desvio o olhar da janela, e olho para a parede, por lá se encontra um quadro que me pintaste. Uma rosa vermelha, em que uma das suas pétalas é uma pistola que deita sangue, o teu propio sangue. Pronuncio, que não quis interpretar. Não retiro o quadro da parede, interpretações mudam com o tempo, hoje apenas vejo como um quadro. Não és um pássaro, a sangue frio mataste o muro que me separava do amor, e a sangue frio esqueceste de mim nos teus olhos castanhos. Na vida receamos que certas pessoas não nos esqueçam, mesmo que já não falemos com a pessoa. Temos medo que as memórias se desvaneçam, e que nos vejam apenas como uma pessoa. As pessoas não são quadros, queremos voltar a ser pintados por quem nos coloriu e deu som a momentos de silencio a preto e branco . Os pássaros não são como as pessoas, um pássaro precisa de voar, e voa sem pensar na queda. E nós as pessoas, por vezes precisamos de alguém para voar, mas temos medo de mostrar a nossa dependência, e afastamos sem pensar na queda. Ligo a Tv, assisto ao habitual playback de programas em directo de um cantor sem banda. Ele cai morto, a música continua e o público continua a bater palmas. Enquanto o realizador mudou de plano, o corpo foi removido, e no lugar do recém falecido, na mesma música que não parou, o playback é feito por um homem com mais de 50kg que o anterior. Depois do momento musical, improvisas na euforia do programa de jogos idiotas japonês nuns estúdios coloridos em Tokyo. Gritas por sushi enquanto cais acidentalmente do palco. O publico ri-se, acham engraçado ver pessoas a cair.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Oblivio
Os pescadores entre o mar e o céu,
auto-didactas do vai chover amanhã,
não previram a tempestade que alastra
pelas antigas terras dos guardadores de rebanhos,
nas areias dos homens de poucas vestes que viajavam em cima de camelos,
na água onde habitam garoupas, atuns, sardinhas,
e outros peixes que estão no fundo do calmo mar de águas claras.
Os peixes já têm razões para morrerem de boca aberta,
outrora anos atrás um sitio de pescadores e de gado,
hoje metrópole recheada de ouro e de luxo
e competições para a construção do prédio maior.
De homens simples, a oblivios da simplicidade,
outrora seguidores de deus, hoje os criadores.
Criam um novo mundo igual a este no mar com areia.
Esquecidos que não só os exageros poéticos fazem perder a simplicidade e dimensão humana das coisas.
auto-didactas do vai chover amanhã,
não previram a tempestade que alastra
pelas antigas terras dos guardadores de rebanhos,
nas areias dos homens de poucas vestes que viajavam em cima de camelos,
na água onde habitam garoupas, atuns, sardinhas,
e outros peixes que estão no fundo do calmo mar de águas claras.
Os peixes já têm razões para morrerem de boca aberta,
outrora anos atrás um sitio de pescadores e de gado,
hoje metrópole recheada de ouro e de luxo
e competições para a construção do prédio maior.
De homens simples, a oblivios da simplicidade,
outrora seguidores de deus, hoje os criadores.
Criam um novo mundo igual a este no mar com areia.
Esquecidos que não só os exageros poéticos fazem perder a simplicidade e dimensão humana das coisas.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Satélites
A tua cadeira bateu na minha, e disseste desculpe. Fumas satélites e o teu coração pousa-se no cinzeiro. Lágrimas caem do tecto enquanto danças, nas escadas que te levam ao céu, ao lado das memorias enferrujadas da janela aberta. Noite de estrabismo no teu olhar, não me conheces, não me vês mas sentes-me, sou uma parábola entre a tua ficção e realidade. A dança pára, figuras-te assustada e ofuscada quando em movimento cruzamos, tu na dança, eu em direcção da varanda. Na varanda penso que são imensos os dias que não conversamos, apenas sorris-me estática como uma manequim, ou mostras-me a nuca. Penso como foste formal ao me pedir desculpas, daí não ter respondido porque eramos demasiados próximos para ser a segunda pessoa do plural. Ás vezes não sei o que dizer, fecho-me em mim, mas foi na forma de te fazer rir, que aprendi a comunicar quando me desinibo. Aantes caminhava na rua à tua procura, sem saber se estás em casa, café ou noutra cidade. Eram tempos que atravessavas apressadamente fora da passadeira, uma rua cheia de carros, para me dizer a sorrir olá e umas palavras. Nesses gestos, fazias-me sentir bonito, por mais feio que tivesse, hoje em dia só me sorris e conversas ás quintas-feiras. Continuas a dançar, e eu vou dormir, olhas para mim e sem dizer nada, sem virar a nuca, nenhum de nós disse até Quinta.
domingo, 29 de novembro de 2009
Lilith
O libido de ambos quando confrontado são sapatos de salto alto em pernas compridas
Desejo de querer estar mais em cima, instinto de quem procura a elevação
A androginia dos corpos, enclausura os sentidos que a pertencem
Assimetria orgânica predomina os seus olhos cinzentos
Voa para a libertação do sono magnético
No mar vermelho, absorve as flores de Novembro
Pecado mordido e devorado, antes da maçã
Flor que não se cheira, seduz sem gumes que penetraram o odor de pescoços
Luar do meio dia, o bordel de Lilith
Erótica, carece de leis
advogada do diabo privada de tribunal, com casos pendentes por resolver
São ardores que não a fazem perder a noite
Noites velhas, fogosas no lupanar
Narcótica, de consciência alterada
Cega do céu, dos sonhos do dia seguinte
Beija o seu amante
Mata os seus filhos
Malogra-se no tempo
Alma mater dos cães
Lilith, de activista das mulheres a meretriz
Libertária ou reles ?
Esgana com paixão todos que desconfiam da sua palavra
Murmúrios o mercúrio entre os corpos
Fantasia final, transmutação de corações de metal
Elixir que me tirou da filosofia da pedra, a perseguição ao dragão
Bipolaridade na euforia
Indiferença com os outros
A sós, eu e tu, desenhas a simetria do teu sexo, com os demais.
Lilith, a heroína dos renegados do morfeu.
Desejo de querer estar mais em cima, instinto de quem procura a elevação
A androginia dos corpos, enclausura os sentidos que a pertencem
Assimetria orgânica predomina os seus olhos cinzentos
Voa para a libertação do sono magnético
No mar vermelho, absorve as flores de Novembro
Pecado mordido e devorado, antes da maçã
Flor que não se cheira, seduz sem gumes que penetraram o odor de pescoços
Luar do meio dia, o bordel de Lilith
Erótica, carece de leis
advogada do diabo privada de tribunal, com casos pendentes por resolver
São ardores que não a fazem perder a noite
Noites velhas, fogosas no lupanar
Narcótica, de consciência alterada
Cega do céu, dos sonhos do dia seguinte
Beija o seu amante
Mata os seus filhos
Malogra-se no tempo
Alma mater dos cães
Lilith, de activista das mulheres a meretriz
Libertária ou reles ?
Esgana com paixão todos que desconfiam da sua palavra
Murmúrios o mercúrio entre os corpos
Fantasia final, transmutação de corações de metal
Elixir que me tirou da filosofia da pedra, a perseguição ao dragão
Bipolaridade na euforia
Indiferença com os outros
A sós, eu e tu, desenhas a simetria do teu sexo, com os demais.
Lilith, a heroína dos renegados do morfeu.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Amores de laboratório
Todo o amor desta cidade foi vendido para experiências cientificas. Procuram criar o amor perfeito para cada um, amores de laboratório. Cérebros são estudados e alterados, perguntas são feitas, tudo fica registado na base de dados. Amores de laboratório, aromas são implantados na dose certa para a sedução do par, ele gosta do cheiro a mel, ela gosta do cheiro incenso. Ele detesta o cheiro a incenso, todos dias quando acorda sente-se angustiado pelo seu cheiro, se perfumar com outro aroma, ela não o amará mais. Amores de laboratório, a genética é alterada, os auscultadores transmitem gostos e saber com as palavras de cassetes colocadas no walkman durante o sono. Ela não tem mais de acordar com o homem do cabelo oleoso à tigela que se interessava mais em clubes de strip, tornou-se personalizado.
Antes do laboratório concluir a experiência, toda a população foi drogada para prevenir depressões,violência, a droga permaneceu depois da experiência, lentamente tudo se viciou, um dia, uma semana, um mês. O amor não dava a felicidade que tanto queriam, ainda tinham o mundo para enfrentar, e tinham que fugir dele. A felicidade é uma alucinação onde se mais a quer. Há quem procure ser feliz com o suicídio porque encara como algo glamouroso, os cadáveres dessas pessoas devem ser os mestres de cerimónias de festas luxuosas no cemitério.
Voltei para esta cidade há pouco tempo. As coisas estão diferentes, almocei com a minha familia, pais, tios, tias num bordel que parece uma tasca barata com quartos, na mesa da frente estão prostitutas que acordaram agora com maquilhagem da noite anterior. Depois da refeição ao caminhar para o hall de entrada, uma mulher bonita, bem acordada e com uma maquilhagem que não desfavorece o seu aspecto, agarra-me e sorri, e chamou-me para o seu quarto. Não chegamos a Vénus, rapidamente tive saír do quarto depois de uns beijos, estava na hora do homem da cor púrpura ser recebido. Na experiência ninguém queria um homem de cor púrpura, o seu problema nos pigmentos melanínicos não é capaz de ser corrigido pela genética, como não quis mudar de cidade, foi-lhe imposto amar uma almofada e ir ás prostitutas uma vez por semana para falar e jogar monopólio.
Antes do laboratório concluir a experiência, toda a população foi drogada para prevenir depressões,violência, a droga permaneceu depois da experiência, lentamente tudo se viciou, um dia, uma semana, um mês. O amor não dava a felicidade que tanto queriam, ainda tinham o mundo para enfrentar, e tinham que fugir dele. A felicidade é uma alucinação onde se mais a quer. Há quem procure ser feliz com o suicídio porque encara como algo glamouroso, os cadáveres dessas pessoas devem ser os mestres de cerimónias de festas luxuosas no cemitério.
Voltei para esta cidade há pouco tempo. As coisas estão diferentes, almocei com a minha familia, pais, tios, tias num bordel que parece uma tasca barata com quartos, na mesa da frente estão prostitutas que acordaram agora com maquilhagem da noite anterior. Depois da refeição ao caminhar para o hall de entrada, uma mulher bonita, bem acordada e com uma maquilhagem que não desfavorece o seu aspecto, agarra-me e sorri, e chamou-me para o seu quarto. Não chegamos a Vénus, rapidamente tive saír do quarto depois de uns beijos, estava na hora do homem da cor púrpura ser recebido. Na experiência ninguém queria um homem de cor púrpura, o seu problema nos pigmentos melanínicos não é capaz de ser corrigido pela genética, como não quis mudar de cidade, foi-lhe imposto amar uma almofada e ir ás prostitutas uma vez por semana para falar e jogar monopólio.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Mar oftalmologista
Mar oftalmologista, estupefaciente da miopia
ler um livro contemplando-te anuncia que a cegueira aproxima...
as coisas estão menos nítidas do que no dia anterior,
o caminhar nos seus saltos altos tocava um dó maior
e hoje toca um black and decker que aparafusa dois olhos
nada salva, nem papel vegetal com sabor a prego frito e alho
Perto, longe, tudo se perde até o sabor...
águas das pedras com limão,
a dureza do acido que esfola a íris.
Mar, anunciante da doença
lembra que na perda dum sentido, outro se apura,
o rádio velho um dia vai voltar a tocar e saberei que é para mim .
ler um livro contemplando-te anuncia que a cegueira aproxima...
as coisas estão menos nítidas do que no dia anterior,
o caminhar nos seus saltos altos tocava um dó maior
e hoje toca um black and decker que aparafusa dois olhos
nada salva, nem papel vegetal com sabor a prego frito e alho
Perto, longe, tudo se perde até o sabor...
águas das pedras com limão,
a dureza do acido que esfola a íris.
Mar, anunciante da doença
lembra que na perda dum sentido, outro se apura,
o rádio velho um dia vai voltar a tocar e saberei que é para mim .
domingo, 15 de março de 2009
Film noir no ano 3000
Ano 3000 numa cidade com reminiscências dos finais dos anos 30 e inicio dos anos 40 conheci uma mulher fatal de seu nome Mariella uma jovem norueguesa que se sentou ao meu lado no cinema para assistir a um filme noir com banda sonora de Sinatra e Boogie-woogie de pessoas que o nome desconheço, um filme noir que envolveu elementos que mais tarde fez-me os recordar em Mariella .
Ela era linda como muitas outras mulheres do Norte da Europa nascidas nos anos 2070´s, morena de olhos castanhos com cerca de um metro e sessenta e quatro de altura mas o que fez-me a recordar, foi depois duma noite de amor na cama do quarto do hotel, durante o meu sono ela pegou na chave do meu cadillac e apropriou-se dele sem nunca mais voltar, eu bem esperei mas passadas dez horas percebi que depois duma noite fabulosa de amor nunca mais iria voltar a ver Mariella e o meu cadillac, o único cadillac na cidade no meio de não sei quantos fords .
Ano 3000 e a inovação tecnológica é um retrocesso, uma viagem ao passado, se Freud estivesse vivo e estivesse estado no meu lugar, se calhar conseguiria responder a questão "o que quer uma mulher" porque eu a consegui responder no ano 3000, uma mulher quer um cadillac depois duma noite de amor para fugir para outra cidade onde não existem fords mas sim bicicletas.
Ela era linda como muitas outras mulheres do Norte da Europa nascidas nos anos 2070´s, morena de olhos castanhos com cerca de um metro e sessenta e quatro de altura mas o que fez-me a recordar, foi depois duma noite de amor na cama do quarto do hotel, durante o meu sono ela pegou na chave do meu cadillac e apropriou-se dele sem nunca mais voltar, eu bem esperei mas passadas dez horas percebi que depois duma noite fabulosa de amor nunca mais iria voltar a ver Mariella e o meu cadillac, o único cadillac na cidade no meio de não sei quantos fords .
Ano 3000 e a inovação tecnológica é um retrocesso, uma viagem ao passado, se Freud estivesse vivo e estivesse estado no meu lugar, se calhar conseguiria responder a questão "o que quer uma mulher" porque eu a consegui responder no ano 3000, uma mulher quer um cadillac depois duma noite de amor para fugir para outra cidade onde não existem fords mas sim bicicletas.
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