sábado, 19 de dezembro de 2009
Satélites
A tua cadeira bateu na minha, e disseste desculpe. Fumas satélites e o teu coração pousa-se no cinzeiro. Lágrimas caem do tecto enquanto danças, nas escadas que te levam ao céu, ao lado das memorias enferrujadas da janela aberta. Noite de estrabismo no teu olhar, não me conheces, não me vês mas sentes-me, sou uma parábola entre a tua ficção e realidade. A dança pára, figuras-te assustada e ofuscada quando em movimento cruzamos, tu na dança, eu em direcção da varanda. Na varanda penso que são imensos os dias que não conversamos, apenas sorris-me estática como uma manequim, ou mostras-me a nuca. Penso como foste formal ao me pedir desculpas, daí não ter respondido porque eramos demasiados próximos para ser a segunda pessoa do plural. Ás vezes não sei o que dizer, fecho-me em mim, mas foi na forma de te fazer rir, que aprendi a comunicar quando me desinibo. Aantes caminhava na rua à tua procura, sem saber se estás em casa, café ou noutra cidade. Eram tempos que atravessavas apressadamente fora da passadeira, uma rua cheia de carros, para me dizer a sorrir olá e umas palavras. Nesses gestos, fazias-me sentir bonito, por mais feio que tivesse, hoje em dia só me sorris e conversas ás quintas-feiras. Continuas a dançar, e eu vou dormir, olhas para mim e sem dizer nada, sem virar a nuca, nenhum de nós disse até Quinta.
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Fodasse, que lindo .
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