sábado, 21 de setembro de 2013

santa maria da feira

nada é impossível, adidas ou puma felinos ao calçado do sapateiro, concerta nas galerias ipanema saltos altos de garotas que não passam, sem cartazes publicitários e identificação do seu espaço, faz o drive-in das reparações take-away no outro lado da estrada. frio no atendimento aos clientes, não é um marketing suicida graças ao boca a boca dos sapatos que salvou. nos cafés da cidade o boca a boca publicita possíveis destinos de emigração, dão cordas ao sapato para sentirem menos asfixiados com as contas, vivem para apertar são palmilhas no país.
entre conversas sobre outros países uma pequena menina grita filha da puá para a mãe, aprendeu a insultar com as virgulas do pai nas conversas de café. Mas ele ignora a linguagem da filha, o sentimento de falhanço da mãe e o atendimento rápido de cabisbaixo perante desconhecidos que se tornam conhecidos na padaria onde trabalha.
a cidade marca-se por impressões escolhidas a dedos pela memória, há uma verdade mas quem a vai ver quando os novos estranhos estão por decifrar. o gordo quarentão tem menos um espectador quando joga futebol com miúdos não familiares. H nunca irá perguntar a razão de tanto querer, o cowboy nú provoca mais a mente na terra prometida do livro sagrado das conversas de café. E ele sabe que agora não tem mais poderes fora da sua terra, as mulheres que vivem na sua imaginação em ruas estrangeiras são desconectadas. a saudade escolheu no adeus a mulher de cara invulgar, bonita apesar do nariz grande. cinco anos depois do único olhar cruzado, a mulher sentou-se atrás do prédio enquanto miúdos faziam de gato sapato ao gordo.

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