nada é impossível, adidas ou puma felinos ao calçado do sapateiro, concerta
nas galerias ipanema saltos altos de garotas que não passam, sem cartazes
publicitários e identificação do seu espaço, faz o drive-in das reparações
take-away no outro lado da estrada. frio no atendimento aos clientes, não é um
marketing suicida graças ao boca a boca dos sapatos que salvou. nos cafés da
cidade o boca a boca publicita possíveis destinos de emigração, dão cordas ao
sapato para sentirem menos asfixiados com as contas, vivem para apertar são
palmilhas no país.
entre conversas sobre outros países uma pequena menina grita filha
da puá para a mãe, aprendeu a insultar com as virgulas do pai nas conversas de
café. Mas ele ignora a linguagem da filha, o sentimento de falhanço da mãe e o
atendimento rápido de cabisbaixo perante desconhecidos que se tornam conhecidos
na padaria onde trabalha.
a cidade marca-se por impressões escolhidas a dedos pela memória, há uma
verdade mas quem a vai ver quando os novos estranhos estão por decifrar. o
gordo quarentão tem menos um espectador quando joga futebol com miúdos não
familiares. H nunca irá perguntar a razão de tanto querer, o cowboy nú provoca mais a mente na terra prometida do livro sagrado das
conversas de café. E ele sabe que agora não tem mais poderes fora da sua terra, as mulheres que vivem na sua imaginação em ruas estrangeiras são
desconectadas. a
saudade escolheu no adeus a mulher de cara invulgar, bonita apesar do nariz
grande. cinco anos depois do único olhar cruzado, a
mulher sentou-se atrás do prédio enquanto miúdos faziam de gato sapato ao gordo.
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