terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
O restaurante
Bairro Alto, entre ruas estreitas e casas rústicas em tons de cinzento situa-se o restaurante "Cherry Pop". O espaço contrasta com a rusticidade das casas, luxuoso com um pavimento de quadrados de madeira preta alternando entre o mais escuro e claro,cores que contrastam o branco sujo do tecto de ripas em mosaico. O espaço é pouco iluminado que promove um ambiente romântico nas mesas de madeira escura em quem se senta aconchegado na almofada que massaja as costas, e impede o toque da madeira da cadeira. Um homem janta sozinho na mesa mais central do restaurante, é o único cliente presente e existem cinco serventes para o atender. Chegaram as entradas, o seu pedido foram vieiras gratinadas. Mas os outros quatro serventes cada qual trouxe uma entrada diferente, caranguejo com marinado de acabacate, cocktail de camarão, crepe de lagosta e pão de alho. O homem disse aos serventes que não tinha pedido aqueles pratos, e que não ia pagar o que não pediu. Eles agarram-no ameaçando que se não comesse, iriam espancar-lo até perder os sentidos. Mais vale comer encher a barriga, do que levar um enxerto de porrada pensou ele. Pouco antes havia pedido para cancelar o prato principal, os serventes negaram tal e disseram que já estava pedido. O homem calou-se, e comeu cada um dos pratos sob o olhar dos serventes. A dose é curta, o preço é alto mas é uma questão de proteger a sua integridade física. Os serventes levaram os pratos de volta para cozinha, e rapidamente trouxeram cinco pratos principais. O aspecto da comida era mais caseira, e as doses maiores. Diferenciava-se imenso com a ementa apresentada, na mesa e na mesa de apoio encontram-se cabrito assado, bacalhau à Zé do Pipo, frango frito, francesinha e arroz do polvo. O homem está cheio, mas é obrigado a comer. Começa pelo frango frito, e aguenta sem vontade de vomitar. No entanto não acontece o mesmo com os outros pratos, a cada sinal de vomito ameaçaram-no. Ele foi obrigado a engolir o seu vomito, e engoliu-o várias vezes. Quando acabou de comer toda a comida, trouxeram a conta e tiraram o seu cartão de crédito, e perguntaram pelo código. O homem não conseguia falar, então pediram para com o abanar da cabeça fazer a contagem. A conta foi paga com um valor enorme, ganharam a noite com aquele homem, apesar do seu sofrimento e da sua obrigação em comer. No fim de tudo trouxeram uma cadeira de rodas e puxaram até à saída, e ele por lá ficou sem se conseguir mexer. Até que apareceu um senhor de uma empresa de prestação de serviços que puxa carrinho de rodas de quem comeu muito num restaurante, e o homem sem outra opção aceitou as condições de pagamento. 300 euros para serem pagos em três prestações, endividado e sujeitado a condições sádicas de outros, regressa ao seu apartamento alugado sabendo que a empresa onde trabalha irá o despedir em breve, porque vão fechar uma linha de produção devido ao consumo do produto fabricado ter diminuído.
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