terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A arte da guerra

O clima era quente num terreno húmido,abandonado e instável. Pensei num caminho de chegar até ti com subtileza, tu pensaste num caminho para chegar até mim com persistência. Eu tinha problemas na locomoção, e tu problemas de segurança. Não tinhas armadura para proteger dos ataques, eu fingia ter escudos e capacetes que me impedissem de ter feridas. Numa guerra não podemos dar a conhecer as nossas fraquezas, iludimos para não nos sentirem que somos sensíveis e susceptíveis a sedativos. A nossa disciplina era escassa, a comunicação eficiente, tínhamos um batalhão de ideias para ir à carga, dizias ter um casaco de couro confeccionado em pele de vaca para tua defesa. Cerravas-te a eles, e sem disciplina não sabias o que fazias, pensei que era mais uma ilusão, mas mais tarde percebi que a minha companhia não te passava por um passatempo. Os teus problemas de segurança eram notórios, mas atacavas sem medo com o auxilio de carabinas. Na minha companhia apenas tínhamos espadas que nem serviam para cortar as ervas daninhas no terreno. Fomos a batalha, sem pensar nas consequências e nos meios, atacamos os dois mas saíste por cima. Não sofreste os danos que sofri nesta guerra, porém nem chegamos a lutar. Sabias que ias ganhar, porque rapidamente percebeste que era frágil. Todo o fingimento só te deu mais vontade em derrubar-me, tinhas energia para fazer mudanças nas tácticas e surpresas que me deixavam mais vulnerável. Não tínhamos uma formação constante, mas soubeste adaptar e tiveste habilidade de me alcançar, absorveste da minha energia com a tua intensidade indefinível, ao contrario de outras guerras comigo dominaste o teu coração, energia, força. Eu cedia a impulsos, não aguardava pelos tempos correctos. Guerra ignóbil, a tua tropa era solidária porque ajudavam-se mutuamente, ao contrário da minha tropa, o nosso número era menor e cada um seguia a sua direcção, desorganizados e individualistas. Conhecias a mim o suficiente para não te sentires sob ameaça, conhecias o meu céu e terra o suficiente para me derrotares. Matamos silêncios, dores, prazeres no campo de guerra mas o teu fogo não irá devolver a minha vida, mataste-me pouco depois de eu não ter desistido, não tive tempo para armadilhas e simular a minha morte para depois de sete dias voltar com uma melhor estratégia. Fabricaste esta guerra devido a tua cólera e raiva de guerras passadas, transformaste a minha alegria em ira, e o prazer em cólera. Depois do fim, só me resta dizer que a paixão é um campo de batalha, morre sempre algo.

3 comentários:

  1. Este texto transformaria o Sun Tzu num menino de coro :S

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  2. este texto, é uma grande verdade... "amor é um campo de batalha, morre sempre algo"

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  3. é um belo texto, no mínimo. bem escrito e cheio da subtileza de nos ir pondo a descobrir aos poucos... bela metáfora o que a escrita e este escriturário nos oferecem. conduzem-nos pela mão para o espaço do amor em transformação desenrolado em câmara lenta.
    viva a lentidão da escrita capaz de devolver a intensidade, viva a metáfora, viva a escrita, felicidades ao escritor!

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