terça-feira, 10 de setembro de 2013

casas sem cortinas

A madame do cabelo azul dona da gelataria roulotte, lembra-se de cada cliente mesmo dos mais convencionais e dos pouco assíduos. De pouco assíduos tornam-se clientes habituais à procura de um encontro noutro lugar. No pub da frente servem o café da discussão. Bollywood em Londres sem dança, maquilhada como actriz sente que está a perder no amor. Descarrega as emoções para a procura de calma e afeição do homem frio sem palavras que sai do pub em silêncio, e cada pedido pela cadeira é recusada . Cadeira ocupada na esperança que voltasse, ocupada por abraços esperados em cada conquista ao mundo, e as conquistas não são compras, não veio para Londres por carteiras e vestidos. O tom de voz e as falhas na voz aumentam no regresso do homem sem palavras, deita as lágrimas entregues a si mesmas. As restantes pessoas no pub permanecem nas suas conversas indiferentes ao sofrimento e sem vontade de coscuvilhar. O homem sem palavras sai de novo ausente da mulher indiana que dá um compasso de espera mas depois da espera para sair, deixa o espaço com um sorriso de uma futura vitória, acredita ter dado as noções para a procura de calma e afeição.
No passeio um homem negro toca o blues na guitarra, a melodia deixa um velhote ressacado barbudo a ter uma bad trip ao lado do caixote de lixo, e além dele desmaiado, a madame que vende gelados na sua roulotte, ninguém parou para ouvir as suas canções apesar das moedas dos passos apresados.
Na autoestrada os carros estão parados sem haver acidente ou obras. A famosa canta-autora pedrada é o centro das atenções dos automobilistas e não algum carro danificado. Ela pede cigarros aos paparazzis que ignoram as suas palavras e limitam-se a tirar fotografias do seu caminhar desnorteado das drogas e de um amor perdido. Longe dos palcos não distancia a vida em nome do amor à arte, todo o seu distúrbio conforta-se em canções que engolem a pessoa.
Os solitários, as vidas destorcidas e os sofredores criam um novo mundo onde hiperbolizam pequenas coisas. O desassossego conforta-se na imagem de uma mulher estranha que vive no escritor sem livros. A mulher dos olhos azuis e brincos de pérola, sentou-se no lado duma mesa da marisqueira. Os seus avós entre camarões e lagostas não viram o seu sorriso de quem fica contente consigo mesmo depois de uma ideia, para ela o presidente da Russia senta de braços cruzados e solta gargalhadas irónicas no G8. A não atenção na mesa levou o olhar canhoto há procura do elogio para a mesa onde o escritor sem livros se encontrava, sorriu para o estranho guardar aquele momento comum dentro dele. O momento de volúpia ditou ao escritor o fim das amizades escolhidas por catálogo, pródigas de escolhas de casas sem cortinas onde nunca se entra mas vê-se o seu interior.

Sem comentários:

Enviar um comentário