segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Placenta

Era a perseguição ao dragão, um analgésico da auto-medicação a debilitação do estômago criou a epopeia dos novos tempos. O mesmo vazio das pessoas, revelou a lenda alguém confuso como eles, bipolaridade de idolatrar e tornar perfeito uma versão mais estragada. A sua face estava num concurso de televisão, pouco depois foi noticiado o cadáver, o olho não mais se encontra no dicionário ao lado da bíblia negra e a vida só tinha fé e significado com o sorriso da sua criança. Somam-se anos, a ingenuidade perde-se, pessoas desiludem. Há quem suporte a sua dor, mas não consegue viver na dor de quem o cordão umbilical ligou. Laura tornou-se adolescente, orfã de mãe, orfã de pai fugitivo que corre as ruas com um vestido de noiva. Ela desenhava em tons cinzentos, gordos e pessoas deformadas em frascos. Restos de grafite permaneciam nas mãos para fazer a sombra nos seus grandes olhos sem expressão. E em todas as suas fotografias do seu quarto, sorria cinicamente ou os lábios demonstravam perturbação com o distúrbio de fazer pose. Base branca enche o seu rosto, o seu tom natural cai nas emoções complexas, confusas e insensatas. Como os tóxicos na placenta na gravidez que não a deformaram, mas o seu sorriso foi deformado com coisas da vida. Rosa não é mais a sua cor favorita, o cuspir para o chão substituiu os beijos para o céu. Laura cortava as unhas de uma forma rispida, simulando teclas de piano. Enchia uma bacia de água para tocar percussão enquanto assistia do seu quarto um gato a violar uma gata. E observava na parede os seus desenhos de ovelhas ordenadas por robôs. O tempo passa, o mundo de maravilhas desaba com as sementes de tristeza atiradas como se não tivessem presas por laços. Laura tinha quarenta anos, ainda desenhava gordos e pessoas deformadas. Trocou a mansão que habitava por um pequeno estúdio onde ouvia a transmissão radiofónica da Guerra dos mundos pela voz de Orson Welles todos dias. Ocasionalmente conhecia pessoas, e foi num homem que desenhava pessoas anorécticas que sentiu o amor. Em tempos trocavam desenhos, mas um dia decidiu sem razões lógicas parar de falar com ele.

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