quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

os voos da rapariga dos olhos vermelhos,olhos azuis

A nuvem que me fez voar, é a nuvem que agora faz chover. Sem traduzir a mudança, clips do passado apertam-me o cabelo na hora do adeus, o tempo ensina a pretender quando não há noções para entender. Arranco relva para sentir as minhas mãos a mentir, choro hipotecas do coração através dos desenhos de bonecas chinesas e carecas. Lágrimas de desenhos sem réplicas de plástico nas lojas, o bazar chinês vende estatuetas de maria, freiras e jesus ao lado de bolas brilhantes com peixinhos a nadar, são devaneios e brinquedos para quem não sabe desenhar. Nunca desenhei o rapaz nuvem, na mesa de cabeceira guardei uma fotografia da sua infância, na infância é facil voar mas a idade tende a criar tempestades e nevoeiros para ficarmos no chão.
Tia morreu de cancro sem perceber como o super homem voa nos filmes, o avô já não voa depois da morte da filha acredita que a vida não vale nada, - um momento estamos vivo e no outro debaixo da terra, são as palavras que saem da boca dele. Encho a cama da avó com bonecas de porcelena, ela sorri ao dormir enquanto tiro fotografias para produzir na fábrica das memórias. Operários moldam recordações, é a linha de montagem com auxilio de máquinas, a produção encontra-se fraca e o armazém enche-se de poeira, talvez deva despedir o chefe de secção ou o supervisor.
 É a santa semana aqui na aldeia. Os jovens batem nos carrinhos de choque, corações ficam em pulos na sedução, uns tornam doces como algodão, outros pedem perdão mas eu estou sem manuais de instruções para novas lições de voo porque o César da fábrica devolveu as antigas por defeito dos tradutores.

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